Fala-me de lucidez. Conta-me como é que a linha do horizonte se traçou no teu peito - em que lado da memória escondeste o mar. Porque sorris assim no interior do meu desassossego? Fala-me de lucidez. Fala-me, para eu adormecer. Al Berto
Al Pacino in the Devil’s Advocate 1/2 (x)
(Source: gothamcityneedsahero)
Eu tinha as chaves da vida e não abri
as portas onde morava a felicidade
eu tinha as chaves da vida e não vivi
e a minha vida foi toda uma saudade
Tanta ilusão que tinha e foi perdida,
e tanta esperança no amor foi destroçada
não sei porque me queixo desta vida,
se não quero outra vida para nada
Se foi para isto que nasci
se foi só isto que hoje sou
se foi só isto que mereci
não vou, não vou
podem passar-me ao castigo
olhos em fogo, tudo acabou
pode passar o amor mais lindo
não vou, não vou
Eu tinha as chaves da vida e fui roubado
mataram dentro de mim toda a poesia
deixaram-me a tristeza que há no fado
e a fonte dos meus olhos que eu não queria
Júlio de Sousa
Recorda-te, Barbara
Chovia sem parar sobre Brest
E cruzámo-nos na Rue de Siam
Tu sorrias
E eu sorria da mesma forma
Recorda-te, Barbara
Tu, que eu não conhecia
Tu, que não me conhecias
Recorda-te,
Recorda-te como nesse mesmo dia
Não o esqueças
Um homem, sob um pórtico abrigado
Gritou o teu nome,
Barbara
E tu correste para ele na chuva
Encharcada encantada radiante
E te entregaste nos seus braços
Recorda isso, Barbara
E não fiques ressentida por te tratar por “tu”
Trato por “tu” todos aqueles que amo
Mesmo que só os tenha visto uma vez
(…)
Recorda-te, Barbara
Não o esqueças
(…)
Jacques Prevert
- Bárbara de Matos